terça-feira, 24 de março de 2009

Sabatina na Folha, Ministro Gilmar Mendes

Participei há pouco da Sabatina Folha com o ministro Gilmar Mendes, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) e também do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) que por duas horas respondeu a perguntas dos colunistas da Folha de São Paulo Fernando Rodrigues, Eliane Cantanhêde e Mônica Bergamo, de Renata Lo Prete, editora do "Painel", e da platéia.
Achei bastante proveitosa as entrevistas tanto dos jornalistas quanto da platéia, exceto alguns manifestantes que quiseram dar "um tom" de rebeldia e falta de educação devido a algumas respostas do ministro Mendes durante a sabatina e que geraram os protestos. Apesar da grande e injusta desigualdade social entre pobres x ricos, gostei das explicações e do vocabulário do ministro, sua fala, simpatia, educação, enfim, é dono de uma postura realmente relevante, firme, audaciosa e, intelectual.
Sobre o fato de ser considerado polêmico, disse ele que assume suas ações e sustenta teses no Supremo "Não sou líder de oposição. Tenho o dever de preservar o Estado de Direito e garantir que não haja excessos. Não tenho nenhuma atuação como oposição ou posição. Se há alguma irregularidade eu tenho a obrigação de apontar." À pergunta da editora do Painel sobre se ele e Lula falam a mesma língua "Sim, o português, mas em visão de mundo há algumas diferenças.", disse ele.
No ano passado, o ministro Gilmar Mendes ganhou notoriedade após conceder dois habeas corpus seguidos a Daniel Dantas, que é sabidamente um banqueiro que enriqueceu às custas dos cofres públicos", afirmou Ismael Cardoso, presidente da Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas). Recentemente, voltou ao noticiário por criticar o repasse de verba do governo federal a trabalhadores sem-terra.

Durante a sabatina, o ministro falou sobre a suspeita de grampo em seu gabinete, no ano passado, sobre suas críticas ao governo federal no caso dos repasses de verbas a movimentos sociais, o recente julgamento da demarcação da reserva indígena Raposa/Serra do Sol, a extradição Cesare Battisti, a lentidão do Judiciário "O Brasil esta mudando no âmbito do Judiciário, estamos avançando nesse sentido, mas precisamos entender essa complexidade. As instâncias ordinárias raramente eram as últimas. É compreensível a revolta dessas pessoas que têm, por exemplo, uma desapropriação inconclusa.", disse ele, entre outros assuntos.
No final, quando respondeu a última pergunta mais voltada para sua vida pessoal, disse que levanta às 3 ou 4 da manhã, responde e-mails até umas 05h, toma seu café e a partir das 07h começa a ligar para quem precisa ligar; gosta muito do que faz, escreve, dá aulas de Direito, viaja, participa de eventos, e trabalha muito, mas, mescla com tudo que gosta e por isso a carga não parece tão pesada. Em relação à candidatura de outro cargo político "Não estou cogitando sair do STF, mas quando sair vou ver o que vou fazer. Nunca tive problema de desemprego... Não cuido nem descuido, simplesmente estou a pensar nas atividades que estou a desenvolver agora." Puxa! Pensei, que pique - e , que sensatez!!!

Na saída, um susto: na porta do teatro, estudantes com bandeiras e um megafone, entoavam gritos de guerra e pediam a cassação do ministro do STF. Uma bandeira do PSOL também foi levada para a porta do teatro. O ministro não presenciou a manifestação e saiu pela porta lateral. Mas não demorou muito, os seguranças do Shopping, entraram em ação.

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