sábado, 14 de fevereiro de 2009

Hands On


Recentemente ganhei um livro de meu marido "Clássicos do Mundo Corporativo", de Max Gehringer, Editora Globo e gostaria de recomendá-lo. É ótimo! Atual, prático e .... relevante. Como estou em transição de carreira, um dos capítulos chamou muito a minha atenção, pois me identifiquei com a situação. Ei-la:

Hands On

Concorrendo com mais duzentos canditatos, a Fabiana ficou com a cobiçada vaga de gestora de atendimento interno, nome que agora se dá à sessão de serviços gerais.

No processo seletivo, a Fabiana preencheu todos os requisitos exigidos pela empresa; que eram, além de formação superior, fluência em inglês, profundos conhecimentos de informática, criatividade, liderança e ambição. E ainda ser hands on.

No primeiro dia, a Fabiana instalou-se em sua mesinha e meia hora depois chegou o primeiro cliente interno. Seu Borges. Fabiana se apresentou e o seu Borges já foi mandando:

- Faça três cópias desse relatório.
- In a hurry!
- Saúde.
- Não, isso quer dizer "bem rapidinho". É que tenho fluência em inglês. Aliás, desculpe perguntar, mas por que a empresa exige fluência em inglês se aqui se fala apenas português?
- Sei lá. Dá para você tirar logo as cópias?
- O senhor não prefere que eu digitalize? Porque tenho profundos conhecimentos de informática.
- Não, não. Cópias normais mesmo.
- Certo. Mas não poderia deixar de mencionar minha criatividade. Comecei a desenvolver um projeto social visando eliminar 30% das cópias que tiramos.
- Fabiana, desse jeito não vai dar!
- E eu não sei? Preciso urgentemente de uma auxiliar.
- Como assim?
- É que sou líder e não tenho ninguém para liderar. Considero isso um desperdício de meu potencial energético.
- Olha, neste momento, só preciso das três có...
- Com certeza. Mas antes vamos discutir meu futuro...
- Futuro? Que futuro?
- É que tenho ambição. Já faz uma hora que estou aqui e ainda não aconteceu nada.
- Fabiana, estou aqui há dezoito anos e também não me aconteceu nada!
- Sei. Mas o senhor é hands on?
- Hein?
- Hands on. Mão na massa.
- Claro que sou!
- Então o senhor mesmo deve tirar as cópias. E agora com licença que vou sair por aí explorando minhas potencialidades; foi o que me prometeram quando fui contratada.

Então, o mercado de trabalho está ficando dividido em duas facções. Uma, que aumenta cada vez mais, é a dos que não conseguem boas vagas porque não têm as qualificações requeridas.

A outra facção, menor, mas crescente, é a dos que são admitidos porque têm todas as competências exigidas nos anúncios. Mas não poderão usá-las, porque, no fundo, a função não precisava delas.

Um comentário:

Viviane Moraes disse...

A crise econômica é tão prejudicial, que eles exigem mais experiênciais dos profissionais, quando mais qualificados melhor. O problema é como disse rô, pode ter experiênca que tiver, mas não vai ser utilizado por um bom tempo. Isso se a própria pessoa mostrar um bom esforço, que ela tem mais chances no emprego.

Beijos Mamys..

ps: empresta o livro pra ler.rsrsrs

te gosto mamyss..